Star Wars: The Last Jedi

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Resolvi manter o título original em inglês porque acredito que condiza mais com o filme, pois rola um certo trocadilho entre ser no plural ou não esse nome.

Obviamente, esta resenha tem spoilers. Leia por sua própria conta e risco.

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Como eu já falei em uma resenha anterior da trilogia aqui no blog, não sou fã-fanática de Star Wars. Não “manjo tudo” de Star Wars. Porém, gosto da série, já reassisti as outras trilogias diversas vezes e também considero “O império contra ataca” o meu preferido. E aí eu fui assistir o segundo da nova geração e, como comentei sobre “O despertar da força”, em 2015, quis comentar sobre “The last jedi” também por aqui. Mas lembre-se que eu sou leiga. Pode me corrigir se eu falar alguma besteira.

Minha opinião de modo geral é: como filme, sensacional. Enredo bem amarrado, fotografia de tirar o fôlego, sequências e momentos emocionantes. Como segundo e penúltimo de uma trilogia? Já não sei. E vou explicar por quê.

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Está na cara que “The last jedi” é um filme sobre gerações. É um filme para “passar o bastão”, como disse o pessoal do Omelete. Mas eu entendo a crítica de alguns fãs, que vêm renegando o filme, porque ele “nega” coisas clássicas da saga que eram consagradas. Ao mesmo tempo, quanto mais penso sobre o assunto, mais ele se torna interessante.

Quando eu escrevi sobre “O despertar da força”, eu falei sobre a teoria da ideia de o Kylo Ren ser mais “bem-sucedido” que o Anakim na “destruição” do lado negro da força. Continuo com essa teoria. Uma das coisas que mais foram criticadas em “The last jedi” foi o fato de Kylo Ren ser um vilão fraco. “Não se compara ao Darth Vader”. “O propósito dele de acabar com o passado é fútil”. Etc.

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Mas, meus caros, eu acredito que aí que esteja o grande ponto forte da coisa toda: não existem mais vilões fortes. Assim como não existem mais jedis fortes. A força está aí para todos, e não para poucos selecionados. O segredo está no equilíbrio. O que a Rey representa (e acho aquela cena dela alcançando a força na pedra junto com o Luke extremamente emblemática com relação a isso) é uma percepção da força cujo lado negro não amedronta porque ele se faz necessário ao equilíbrio.

E eu acho tão emblemático também o Kylo Ren não usar mais máscara! A cena em que ele destrói a máscara é a cena que mostra que ele rompeu com o Vader também. É o que ele vem fazendo – rompendo com os ícones do passado, sejam quais forem. Ele representa a nova geração de maneira geral. A Rey vem para dizer que “opa, amigo, calma. Nem tudo no antigo é ruim. Rola uma equilíbrio, vem comigo.” Ela quer descobrir seu lugar em tudo isso, e na verdade já a vejo como a pessoa que representa esse equilíbrio. A cena na pedra deixou bem claro.

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Continuo com a mesma opinião que tive ao assistir “O despertar da força”: não vejo outro fim para esta trilogia que não a dissipação da ideia de “lado negro” – o que o Anakim originalmente queria fazer. Porque a história dessa dualidade não pode durar para sempre. Acho que uma narrativa que envolva o Kylo Ren se redimir é muito fraca. Um cara que mata o Han Solo pode se redimir? Jamaaaais! De verdade. Seria muito fraco do roteiro da saga se isso acontecesse, então não acho que acontecerá.

Rey passar para o lado negro? Muito menos. Jamais uma saga da Disney (lembrem-se) vai colocar isso como conclusão ou lição de moral.

Repetir a história – Kylo Ren é um novo líder supremo do lado negro da força e quer destruir a galáxia? Meh. Já foi feito isso, e com maestria. Não haverá vilão como Darth Vader, nunca mais. E os roteiristas sabem disso.

Minha única “preocupação” com o desfecho acabando com o lado negro da força é que isso coloca um ponto final na saga para trilogias futuras, mas será que coloca mesmo ou estou concluindo isso dentro das minhas próprias limitações criativas? Vamos aguardar para ver o que vem por aí.

Aliás, me deixem citar a cena da luta em que Rey e Kylo Ren lutam juntos, lado a lado, depois da morte do Snoke. Que cena, toda a sequência. Acho que foi a minha preferida do filme.

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Então eu gostei do filme, de modo geral. Algumas coisas me incomodaram bastante, como por exemplo o desentendimento ridículo entre o Luke e o Kylo Ren. Não colou, foi fraco. Mas, de modo geral, foi um grande filme. Como penúltimo da trilogia, achei perigoso, pois criou uma polêmica grande e deixou muitos laços abertos para um terceiro filme – muita coisa em jogo para resolver em apenas mais um filme, sabem? Mas quem sabe dê certo.

Poe Dameron (melhor personagem) é o novo Han Solo, e prevejo um triângulozinho amoroso entre ele, a Rey e o Kylo Ren. Tenho boas perspectivas de batalhas para o último filme, e acho que o desfecho se dará com uma morte dramática do Kylo – provavelmente por suicídio ou sacrifício espontâneo. Também imagino “fantasminhas” aparecendo novamente – como o Luke treinando a Rey. E acho que a série dará um pulo no espaço de tempo para começar justificando algumas coisas – Rey mais forte, talvez treinando uns padawanzinhos, e a morte da General Leia (com a morte da Carrie Fisher).

Enfim, que venha 2019, e até lá teremos bastante tempo para rever todas as trilogias novamente e pensar nesse conflito do Anakim PLUS conflito do Kylo Ren e como justamente a “fraqueza” do Kylo Ren será o ponto forte que vai concluir o que o Anakim queria originalmente lá atrás. Eu acredito!

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Thais Godinho é escritora e professora.

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