O filme Book Club, lançado no Brasil com o título “Do jeito que elas querem”, traz um elenco fantástico composto por Diane Keaton, Jane Fonda, Candice Bergen e Mary Steenburgen. A trama é simples: quatro grandes amigas, em idade madura, resolvem ler a trilogia dos “50 tons de cinza” como a leitura do mês em seu clube do livro. A leitura dos livros vai mexer com a cabeça das amigas, que passarão a questionar suas relações amorosas. A sinopse é simples e beira a bobagem, mas o filme é Ó-TE-MO.

Abaixo eu comento as minhas percepções, obviamente com spoilers, mas nada que prejudique a sua experiência com o filme (prometo!).

A personagem da Jane Fonda é a “mais saidinha” de todas e quer ler “50 tons de cinza” naquele mês em questão com o grupo. Todas reclamam. Isso eu achei o máximo, porque todo mundo sabe, no fundo, que o livro é ruim. Mesmo ao longo do filme, enquanto aparecem cenas delas lendo o livro, sempre tem um teor tipo “hahaha que tosco”, então o grande mérito do filme está em mostrar que mesmo uma leitura ruim pode ser divertida e trazer mudanças para a nossa vida.

Então vamos às personagens: Diane Keaton é a principal. Ela perdeu o marido há cerca de um ano e suas duas filhas, na faixa dos 40 anos, já casadas, mães e com suas próprias vidas e problemas, querem que ela se mude para sua cidade para que possam cuidar dela mais de perto. O excesso de cuidados irrita a Diane, que não se considera “idosa assim” ou “acabada assim” como as filhas acham. E então ela vai conhecer um cara legal, que por sinal mora na mesma cidade que as filhas. Essa é a trama dela.

Jane Fonda representa a “mulher de negócios” independente. Tem um hotel, é milionária, nunca se casou e faz questão de dizer que não se apaixona e não “dorme” com os homens – apenas faz sexo com eles. Não quer se envolver emocionalmente. Mas aí ela reencontra uma paixão de quando era jovem – um cara que, pelo que entendi, é meio um astro do rock que agora já está mais sossegado, mas mora em NY. E ela vai ficar nesse draminha pessoal de se render ou não.

Candice Bergen representa uma juiza federal muito séria e que tem uma gata que, aparentemente, está apática. Ela se divorciou de um marido que já nem gostava mais, mas alimenta uma dor de cotovelo porque ele vai se casar com uma moça com 20 anos de idade. Sua trama envolve ela se abrir para o mundo, sair da pose de séria que sustenta no trabalho e também aceitar internamente que seu casamento acabou e que ela não precisa sentir rancor do ex-marido.

Mary Steenburgen, a atriz mais fofa por natureza das quatro, representa uma mulher casada, mas que ainda se sente sexy, e cuja leitura do livro a faz ver que ela ainda se sente atraída pelo marido – que parece estar completamente em outra, querendo consertar coisas na garagem e sua moto. Seu drama envolve fazer com o que o marido sinta atração por ela novamente, o que envolve, obviamente, não apenas o sexo, mas fazerem outras coisas juntos.

Então vamos lá: temos essas queridas enfrentando seus dramas particulares e dividindo suas experiências juntas, uma apoiando a outra. Afinal, isso é o que amigas fazem.

O filme entrega exatamente o que se propõe. Não é um filme metido a ser intelectual, nem traz clichês que acabariam com a graça da história (ok, traz alguns, mas nada que sejam entendiantes, e sim esperados dentro de cada contexto).

Saí levíssima do cinema, feliz, porque é um filme leve e que mostra quatro amigas, mulheres bem resolvidas em suas vidas, com suas convicções, mas também demonstrando suas fraquezas e sendo honestas a respeito delas.

Sei que vivemos em um mundo cada vez mais feminista e que cada vez mais empodera mulheres, mas eu acho bonito de se ver um filme que aborde as fraquezas femininas sem um tom pejorativo também – aliás, ainda com um toque gostoso de humor. Adorei o desfecho de todas elas e confesso que fiquei torcendo para ter uma continuação…

Outro ponto fundamental: o filme não tem cenas de sexo! Sei lá, achei que, por falar sobre o livro dos “5o tons”, esse foi um detalhe que tornou o filme ainda melhor. Ele só insinua e brinca com as diversas situações, sem a necessidade de ser explícito. É delicado e forte ao mesmo tempo, como nós mulheres somos.

Fica a dica para o seu cineminha em um domingo à noite, para começar a semana bem. 🙂

2 Comments on Book Club (2018)

  1. Ully Lima
    July 27, 2018 at 1:31 am (8 months ago)

    Oi Thais, adorei a indicação, esses dias estou mesmo procurando por filmes mais leves e divertidos como esse, vou assistir com certeza! Só tenho um pequeno comentário, não sou especialista nem nada, mas sou feminista e acredito que isso significa não apenas ouvir passivamente mas também construir o que de fato ser feminista significa, afinal não é um objeto que se cria por si só, é criado e transformado pelas pessoas. O que eu gostaria de dizer é que pra mim o feminismo empodera as mulheres não apenas para se sentirem maravilhosas e capazes, vai além disso, ele empodera as mulheres para que sejam apenas humanas. Um exemplo eram as qualidades exigidas de parte das mulheres há não muito tempo atrás, o anjo do lar como Virginia Wolf se referia. O feminismo liberta cada vez mais as mulheres dessa imposição de perfeição ou de jeito de ser específico e exige o direito a sermos imperfeitas, humanas em toda a diversidade que isso significa, e continuarmos a sermos respeitadas. É isso, não quero criar nenhuma polêmica nem nada, só senti vontade de compartilhar essa opinião com você, espero que possa ler. Te admiro muito e adoro todos os seus blogs! Um abraço.

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  2. Suyang
    October 7, 2018 at 1:39 pm (5 months ago)

    Thais,
    Adorei o filme!
    Demorei para assistir porque ficou em cartaz pouquissimo tempo aqui em Taipei, mas consegui assistir durante um vôo que peguei esta semana.
    Obrigada pela dica.
    Um beijo,
    Suyang

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