“Tem um filme que eu quero muito ver, é nacional”. Estranhei quando o digníssimo disse isso. Ele não gosta de cinema nacional (um preconceito bobo, é claro), mas logo matei a charada. “É de terror”, ele disse. Eu já desanimei. Não tenho mais assistido filmes de terror porque 1) a vida é curta pra ficar vendo coisa que me deixa impressionada – no sentido negativo da palavra e 2) é tãooo difícil ter algum bom filme de terror que não seja cheio de susto atualmente. Mas bom, ele me ganhou com a cartada final: “O Pablo Villaça falou bem”. Como ele sabe que o PV é meu guru do cinema, here we go.

O filme traz uma Marjorie Estiano grávida de um lado, e a Izabel Zuaa fazendo entrevista de emprego para babá de outro.

A sinopse oficial é a seguinte: “Ana (Marjorie Estiano) contrata Clara (Isabél Zuaa), uma solitária enfermeira moradora da periferia de São Paulo, para ser babá de seu filho ainda não nascido. Conforme a gravidez vai avançando, Ana começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e sinistros hábitos noturnos que afetam diretamente Clara.”

Ok, a partir daqui teremos spoilers. Leia por sua conta e risco.

A gravidez da Marjorie é estranha e a associação com “O bebê de Rosemary” é direta, então eu já imaginava que algo esquisito aconteceria ali. O diferencial do filme foi trazer relações homossexuais ao centro da trama de uma maneira muito bonita, de demonstração de desejo e carinho, sem ser caricato.

A cena do “nascimento” é chocante e uma das melhores do cinema nacional. Aliás, palmas para os diretores que construíram um filme incrível e tiveram o timing de lançar em época de festa junina! Clap!

A segunda parte do filme começa com o nascimento e o desenvolvimento do “bebê”, que na verdade é um filho de lobisomem e será criado pela Clara, pois a mãe dele morreu no parto.

A relação entre eles é essencialmente humana e delicada, e eu chorei horrores o tempo todo imaginando o sofrimento da mãe e do menino, porque ele tem mais ou menos a idade do Paul.

Com o desenrolar da trama, eu fiquei imaginando que final poderia ter esse filme que não caísse nos clichês do gênero, mas a saída encontrada pelos diretores foi a melhor possível, e eu amei. Assista para saber como é. 😉

O Joel é a coisinha mais fofa do mundo mesmo transformado – uma mistura de Bolt com mascote da Rússia na Copa, e tudo é muito, muito bem desenvolvido, sem falhas. Nem os efeitos especiais me incomodaram (achei que atenderam).

Se você for uma pessoa sensível a sangue, especialmente, melhor não assistir. Mas não é um filme de terror de mau gosto nem com sustos. Vai mais para o drama, com bons momentos divertidos também.

Se tiver a oportunidade, vá esta semana prestigiar o cinema nacional. Faz muita diferença no mercado quando o filme é assistido no cinema na primeira semana, porque isso mostra força de bilheteria e as casas conseguem manter o filme em cartaz por mais tempo.

Bom filme. Obrigada.

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