Thais Godinho: Produtividade Criativa

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Apr
02

Eu assisti: Fragmentado (contém spoilers)

Na semana passada, assisti o filme “Fragmentado” no cinema e saí com falta de ar e sem palavras. Minhas resenhas de filmes costumam ser bem breves, mas gosto de contar como me senti, o que pensei, se gostei ou não etc. Já digo de cara que sim, claro que gostei. Eu adoro todos os filmes do Shyamalan. Porém, o que me deixou speechless foi o final, que ele linka com o “Corpo fechado” (outro filme dele).

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Vamos lá, caso você não saiba do que estou falando: “Fragmentado” traz a história de Kevin (James McAvoy), que possui 23 personalidades distintas e consegue alterná-las quimicamente em seu organismo apenas com a força do pensamento. Um dia, ele sequestra três adolescentes que encontra em um estacionamento. Vivendo em cativeiro, elas passam a conhecer as diferentes facetas de Kevin e precisam encontrar algum meio de escapar. Só que isso é roteiro para o começo do filme. O plot twist dele é inacreditável.

E aí, assim né: já existem várias teorias rolando. A minha preferida é que o Kevin (personagem principal) perdeu seu pai no mesmo acidente de trem que acontece em “Corpo fechado”, o que faria o Mr. Glass (personagem do Samuel L. Jackson no outro filme) ter gerado não apenas o “herói” (personagem do Bruce Willis) como também o vilão (Kevin). Em uma das consultas com a psicóloga, ela tenta abordar a questão de ele ficar esperando pelo pai na estação, o que o deixa sempre muito desconfortável, o que mostra que é um assunto que o incomoda e, o que nos interessa: é uma pista da tal teoria.

Vemos então uma suposta continuação do filme “Corpo fechado” e podemos esperar um embate entre os dois em um terceiro que, pelo que eu li, já está até sendo produzido (!!!). O que eu gosto nessa teoria é a homenagem que o diretor faz ao mundo dos quadrinhos, criando essa nova “mitologia” (será que podemos chamar assim?) de supostos heróis e vilões sem qualquer poder extraordinário ou sobrenatural, mas apenas vindo da mente, que é transformada, de alguma maneira, pelo ambiente onde esses personagens estão inseridos. Adoro a relação entre “Mr. Glass” x “Fragmentado” e o antagonismo de corpo fechado x fragmentado igualmente. Vem coisa boa por aí.

O que eu realmente gostaria de explorar mais (e meu marido já topou fazer uma maratona) são os outros filmes do Shyamalan em busca de possíveis links entre personagens, para ficar mais tranquila de que serão apenas esses três mesmo ou se podemos ver personagens de “Sexto sentido”, “Sinais”, entre outros.

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Agora, sobre o filme em si: Shyamalan sendo Shyamalan! Esse cara é genial. A atuação do James McAvoy, como esperado, é impressionante (a mudança de feições em sequência é muito legal de se ver). Também gostei da Anya Taylor-Joy, que parece uma clone da Lia Camargo no filme, e eu já fiquei fã desde a sua atuação em “A Bruxa”. O ritmo do filme é extasiante – cheguei a ficar com um pouco de taquicardia e sem respirar em alguns momentos, inclusive na sequência final. Alguns pontos na atuação do james McAvoy me lembraram o Ewan McGregor e o Jack Nicholson na clássica cena d”O Iluminado” (vide imagem acima).

Uma das coisas que mais gosto no enredo é de ver como a psicóloga de certa forma acabou “criando” a vigésima quarta personalidade do Kevin, ao ficar constantemente alimentando que ele era extraordinário, o máximo etc. Que coisa! A mente é tudo, de fato. E traz totalmente o link com o “Corpo fechado” e outros longas do diretor. Vamos aguardar!

Se você curte os filmes do diretor e gosta de filmes com sequências de tirar o fôlego, certamente você vai adorar “Fragmentado”.