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Book Club (2018)

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O filme Book Club, lançado no Brasil com o título “Do jeito que elas querem”, traz um elenco fantástico composto por Diane Keaton, Jane Fonda, Candice Bergen e Mary Steenburgen. A trama é simples: quatro grandes amigas, em idade madura, resolvem ler a trilogia dos “50 tons de cinza” como a leitura do mês em seu clube do livro. A leitura dos livros vai mexer com a cabeça das amigas, que passarão a questionar suas relações amorosas. A sinopse é simples e beira a bobagem, mas o filme é Ó-TE-MO.

Abaixo eu comento as minhas percepções, obviamente com spoilers, mas nada que prejudique a sua experiência com o filme (prometo!).

A personagem da Jane Fonda é a “mais saidinha” de todas e quer ler “50 tons de cinza” naquele mês em questão com o grupo. Todas reclamam. Isso eu achei o máximo, porque todo mundo sabe, no fundo, que o livro é ruim. Mesmo ao longo do filme, enquanto aparecem cenas delas lendo o livro, sempre tem um teor tipo “hahaha que tosco”, então o grande mérito do filme está em mostrar que mesmo uma leitura ruim pode ser divertida e trazer mudanças para a nossa vida.

Então vamos às personagens: Diane Keaton é a principal. Ela perdeu o marido há cerca de um ano e suas duas filhas, na faixa dos 40 anos, já casadas, mães e com suas próprias vidas e problemas, querem que ela se mude para sua cidade para que possam cuidar dela mais de perto. O excesso de cuidados irrita a Diane, que não se considera “idosa assim” ou “acabada assim” como as filhas acham. E então ela vai conhecer um cara legal, que por sinal mora na mesma cidade que as filhas. Essa é a trama dela.

Jane Fonda representa a “mulher de negócios” independente. Tem um hotel, é milionária, nunca se casou e faz questão de dizer que não se apaixona e não “dorme” com os homens – apenas faz sexo com eles. Não quer se envolver emocionalmente. Mas aí ela reencontra uma paixão de quando era jovem – um cara que, pelo que entendi, é meio um astro do rock que agora já está mais sossegado, mas mora em NY. E ela vai ficar nesse draminha pessoal de se render ou não.

Candice Bergen representa uma juiza federal muito séria e que tem uma gata que, aparentemente, está apática. Ela se divorciou de um marido que já nem gostava mais, mas alimenta uma dor de cotovelo porque ele vai se casar com uma moça com 20 anos de idade. Sua trama envolve ela se abrir para o mundo, sair da pose de séria que sustenta no trabalho e também aceitar internamente que seu casamento acabou e que ela não precisa sentir rancor do ex-marido.

Mary Steenburgen, a atriz mais fofa por natureza das quatro, representa uma mulher casada, mas que ainda se sente sexy, e cuja leitura do livro a faz ver que ela ainda se sente atraída pelo marido – que parece estar completamente em outra, querendo consertar coisas na garagem e sua moto. Seu drama envolve fazer com o que o marido sinta atração por ela novamente, o que envolve, obviamente, não apenas o sexo, mas fazerem outras coisas juntos.

Então vamos lá: temos essas queridas enfrentando seus dramas particulares e dividindo suas experiências juntas, uma apoiando a outra. Afinal, isso é o que amigas fazem.

O filme entrega exatamente o que se propõe. Não é um filme metido a ser intelectual, nem traz clichês que acabariam com a graça da história (ok, traz alguns, mas nada que sejam entendiantes, e sim esperados dentro de cada contexto).

Saí levíssima do cinema, feliz, porque é um filme leve e que mostra quatro amigas, mulheres bem resolvidas em suas vidas, com suas convicções, mas também demonstrando suas fraquezas e sendo honestas a respeito delas.

Sei que vivemos em um mundo cada vez mais feminista e que cada vez mais empodera mulheres, mas eu acho bonito de se ver um filme que aborde as fraquezas femininas sem um tom pejorativo também – aliás, ainda com um toque gostoso de humor. Adorei o desfecho de todas elas e confesso que fiquei torcendo para ter uma continuação…

Outro ponto fundamental: o filme não tem cenas de sexo! Sei lá, achei que, por falar sobre o livro dos “5o tons”, esse foi um detalhe que tornou o filme ainda melhor. Ele só insinua e brinca com as diversas situações, sem a necessidade de ser explícito. É delicado e forte ao mesmo tempo, como nós mulheres somos.

Fica a dica para o seu cineminha em um domingo à noite, para começar a semana bem. 🙂

5 mulheres e 5 caras que inspiram o meu estilo atual

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Chrissie Hynde

Vocalista, guitarrista e compositora do Pretenders.

Patti Smith

Vocalista, compositora e escritora.

Charlotte Gainsbourg

Atriz.

Joan Jett

Guitarrista, vocalista e compositora.

Rita Lee

Compositora, vocalista e escritora.

E os caras:

Jack White

Compositor, cantor, guitarrista, multi-instrumentista etc.

Lemmy Kilmister

Baixista, vocalista, compositor do Motorhead. RIP.

Jimmy Page

Guitarrista, compositor, místico do Led Zeppelin.

George Harrison

Guitarrista e compositor dos Beatles.

Jim Morrison

Compositor, vocalista e escritor do The Doors.

Ora ora, aparentemente temos uma temática aqui. 🙂

Minha saladinha básica do dia a dia

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Gosto de ter lanches saudáveis para o dia a dia e saladas são boas opções. Eu também sempre busco me alimentar com salada nas refeições principais, especialmente quando almoço ou janto fora de casa. Esse foi um princípio que me coloquei para 1) ser sempre saudável, 2) ser fitness (kkk) e 3) go vegan.

Tem uma saladinha que é a minha básica do dia a dia mesmo – aquela que eu faço sempre que estou com pressa ou sem criatividade.

  • alface
  • azeite extra-virgem da melhor qualidade possível
  • sal
  • pimenta preta moída na hora
  • parmesão ralado na hora
  • castanha-do-pará ralada na hora
    (aqui está o único ingrediente não-italiano da receita)

Todos os detalhes fazem muita diferença para a qualidade do prato, para mim. A coisa de ralar o parmesão na hora, moer a pimenta na hora… pode parecer besteira, mas muda muito o sabor, além de me dar mais aquela sensação de cuidado com o que eu estou comendo.

Como comentei ali em cima, gosto da alface americana, mas sinceramente uso o vegetal que estiver na minha geladeira no momento. Só não gosto de alface lisa, mas é comum substituir por alface crespa, repolho, acelga ou radicchio.

Para servir, uso um bowl pequeno. Preparo em 3 minutos e funciona muito bem a qualquer hora do dia.

Obviamente esta é uma versão simples e básica, que eu mesma às vezes complemento com outros ingredientes, dependendo do tempo disponível e do que tenho na minha despensa. Você pode acrescentar o que você quiser, de tomates a tirinhas de frango ou croutons. É só uma salada-base.

Esses pratos-coringa são uma mão na roda no dia a dia e uma opção MUITO melhor que comer industrializados ou “coisas de trigo” na hora dos lanchinhos.

O que fazer com vinho que você não gostou?

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É muito frustrante comprar um vinho que parece promissor mas não gostar dele. Às vezes o paladar simplesmente não bate. É questão de gosto.

Em vez de você simplesmente jogar fora, use para cozinhar. Mesmo vinhos que você não goste servem maravilhosamente bem para cozinhar.

Dicas de modo geral:

  • Usar bebida alcoólica na comida faz com que os sabores fiquem realçados. Então segure a mão nos molhos, por exemplo, que podem ter muitos elementos. Saiba que todos os ingredientes serão realçados, então use o vinho para realçar algo que você queira destacar mais – por exemplo, um queijo gorgonzola.
  • Você pode usar vinho nos seguintes pratos: molhos para massas, marinadas de aves e carnes, ensopados, sopas, molhos frios. Doces: recheios de bolos e tortas, sobremesas cremosas, umedecer biscoitos e massas.
  • Use vinhos que você beberia com aquele prato. Exemplo simples: se você não beberia vinho tinto seco com uma massa de molho branco com camarões, não use esse tipo de vinho para cozinhar esse prato.
  • O álcool evapora ao ser cozido junto com a comida, e assim fica apenas o sabor do vinho.
  • A quantidade depende muito do seu feeling ao cozinhar. Pouco quase não trará sabor, mas muito pode ser exagerado. Claro que depende da receita. Pondere.

No final das contas, fico até feliz quando pego um vinho que não gosto tanto, porque assim me sinto livre para cozinhar usando a bebida sem me sentir culpada por estar “gastando” o vinho. rsrs

Minha playlist de inverno

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Eu tenho o hábito de ouvir playlists criadas por outras pessoas no Spotify e, sempre que ouço uma música nova que me agrade, eu a salvo para ouvir mais tarde. Mais especificamente, na minha estação preferida.

Tenho uma playlist minha para cada estação do ano, e aí quando chega a estação posso ouvir as músicas que acrescentei ao longo de um ano inteiro, além das outras que já estavam lá antes.

É uma das coisas mais prazerosas que gosto de fazer no dia a dia e exploro essa playlist tanto andando a pé (adoro) quanto de carro.

Para entrar na playlist, a música não precisa ser temática (ou seja, “falar” sobre inverno ou o frio), apesar de que algumas assim acabam entrando. Basta me lembrar de momentos que vivi no frio, no inverno, ou me parecerem serem adequadas para o frio, simplesmente.

Você pode verificar a playlist abaixo ou clicando aqui.

E você, tem músicas preferidas para ouvir em determinadas estações, especialmente o inverno? Compartilhe comigo nos comentários. 🙂

Pão de alho romano (bruschetta)

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Eu sou muito antiga e romântica, e o que os outros chamam de bruschetta eu chamo de pão de alho romano.

Na verdade, se você for pegar a origem do termo, vem lá de Roma a palavra bruscare, que significa (veja só) “torrar”. Isso serve tanto para uma fatia de pão quanto para um grão de café, mas o fato é que a palavra bruschetta vem daí, meus caros.

Bruschetta é um “prato”, uma iguaria tipicamente italiana, que é composta basicamente de um pão torrado regado com muito azeite de oliva. Todo o resto é invenção e inovação, hehe.

O que acontece é que, na Roma antiga, entre o outono e o inverno (frio!), a produção do azeite de oliva era finalmente concluída, então era tradição tostar um pãozinho e experimentar a nova leva de azeites, novinhos em folha, verdinhos e aromatizados.

Da Roma antiga a bru-bru (como chamamos carinhosamente aqui em casa) se espalhou para o resto da Itália, incorporando outros ingredientes (o que também é maravilhoso). Hoje, o mais comum é termos pelo menos alho e tomates, o que eu aceito de bom grado (inclusive é a minnha combinação preferida).

Sério, quer me deixar feliz, faz uma bru-bru. É a minha principal comfort food.

Receita básica

Coloque o forno para pré-aquecer enquanto você fatia 6 dentes de alho (eu gosto MUITO de alho e por isso uso 3 dentes por “metade de pão”, caso use pnao francês, aquele de padaria, mas você pode usar menos alho se preferir).

PS 1: Algumas pessoas gostam de picar ou de amassar o alho. Fica totalmente a seu critério. Eu gosto de fatiar porque gosto do sabor do alho, mas é importante você deixar o alho do jeito que você gosta mais.

PS 2: Se você for sensível a alho, talvez você prefira fazer outra receita!

Terminou de fatiar? Então agora você vai pegar o pão. Eu uso pão francês mesmo, porque é o pão do dia a dia. Ele nem precisa estar fresco – pode usar pão envelhecido. A bru-bru tradicional é feita com pão de crosta grossa, mas nem sempre tenho em casa. Se você tiver, melhor! Mas não deixe de fazer caso não tenha. Se usar pão francês, corte no meio e use 3 dentes de alho fatiados em cada metade.

Eu gosto de “amassar” o centro de cada fatia do pão para que eles fiquem como uma “canoinha” e segurem o recheio. É muito chato querer colocar o recheio depois e ficar caindo para os lados, especialmente na hora de comer!

Um truquezinho extra que eu tenho é umedecer (com água mesmo) os pães antes de colocar o alho em cima. Isso faz com que eles demorem mais para assar, o que faz com que o alho asse mais também. Fica a dica!

Afundou o pãozinho e molhou? Hora de colocar o alho em cima e levar ao forno. Eu deixo em forno super baixo, tipo entre 180 e 200 graus, durante 15 minutos. Teste seu forno. Já fiz em 10 e já fiz em 20, dependendo da potência do forno em questão.

Com a bru-bru no forno, abra uma garrafa de vinho. Para a receita? Não, porque é gostoso mesmo. Vá curtindo o clima. Minha sugestão aqui é ficar na Itália e pegar um bom vinho de uva Primitivo. Minha nossa, melhor escolha!

Aberto o vinho e a tacinha ao lado, lave os tomates (quanto mais maduros, melhor!). Eu uso meio tomate para cada fatia de pão, o que dá um único tomate para esta receita que eu estou fazendo (se quiser fazer para mais pessoas, basta duplicar ou triplicar as quantidades).

Eu lavo bem os tomates, corto em quatro pedaços e tiro as sementes, porque não gosto de sementes. Aí, corto em pedaços de mais ou menos 1cm cada e reservo.

Quando o pão estiver pronto, basta tirar do forno, colocar em um prato bonitinho e acrescentar os tomates “dentro do seu barquinho”. Ou seja, em cima de cada pão. Não se preocupe se o pão ainda etsiver úmido no meio, por causa da água. O importante é que esteja quente.

Depois de colocar o tomate, salpique sal a gosto. Eu também gosto de colocar uma pitada de pimenta do reino.

Eu gosto de ralar queijo parmesão em cima (não muito, só para dar um gostinho) e, depois, rego com um bom azeite de oliva. Atenção, pelamor: nada de usar queijo ralado de saquinho. Queijo ralado na hora, ou daqueles que você compra em potes no mercado. Isso deixa o queijo mais macio. Aliás, vale a pena sempre ter uma pecinha de um bom parmeggiano em casa. Serve para saladas, carnes, massas etc.

Finalizo com algumas folhinhas de manjericão (sempre fresco).

Algumas pessoas gostam de complementar a bru-bru com pesto de azeitonas pretas ou fatias de aliche. Sinceramente, o céu é o limite quando se trata de bruschettas. Dá pra fazer um monte de combinações.

A pessoa que vem na minha casa inevitavelmente será recebida um dia com uma entradinha de bruschettas porque, bem, taí algo que agrada a todos.

Sirva sempre enquanto ainda estiver quente. <3

As boas maneiras (2018)

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“Tem um filme que eu quero muito ver, é nacional”. Estranhei quando o digníssimo disse isso. Ele não gosta de cinema nacional (um preconceito bobo, é claro), mas logo matei a charada. “É de terror”, ele disse. Eu já desanimei. Não tenho mais assistido filmes de terror porque 1) a vida é curta pra ficar vendo coisa que me deixa impressionada – no sentido negativo da palavra e 2) é tãooo difícil ter algum bom filme de terror que não seja cheio de susto atualmente. Mas bom, ele me ganhou com a cartada final: “O Pablo Villaça falou bem”. Como ele sabe que o PV é meu guru do cinema, here we go.

O filme traz uma Marjorie Estiano grávida de um lado, e a Izabel Zuaa fazendo entrevista de emprego para babá de outro.

A sinopse oficial é a seguinte: “Ana (Marjorie Estiano) contrata Clara (Isabél Zuaa), uma solitária enfermeira moradora da periferia de São Paulo, para ser babá de seu filho ainda não nascido. Conforme a gravidez vai avançando, Ana começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e sinistros hábitos noturnos que afetam diretamente Clara.”

Ok, a partir daqui teremos spoilers. Leia por sua conta e risco.

A gravidez da Marjorie é estranha e a associação com “O bebê de Rosemary” é direta, então eu já imaginava que algo esquisito aconteceria ali. O diferencial do filme foi trazer relações homossexuais ao centro da trama de uma maneira muito bonita, de demonstração de desejo e carinho, sem ser caricato.

A cena do “nascimento” é chocante e uma das melhores do cinema nacional. Aliás, palmas para os diretores que construíram um filme incrível e tiveram o timing de lançar em época de festa junina! Clap!

A segunda parte do filme começa com o nascimento e o desenvolvimento do “bebê”, que na verdade é um filho de lobisomem e será criado pela Clara, pois a mãe dele morreu no parto.

A relação entre eles é essencialmente humana e delicada, e eu chorei horrores o tempo todo imaginando o sofrimento da mãe e do menino, porque ele tem mais ou menos a idade do Paul.

Com o desenrolar da trama, eu fiquei imaginando que final poderia ter esse filme que não caísse nos clichês do gênero, mas a saída encontrada pelos diretores foi a melhor possível, e eu amei. Assista para saber como é. 😉

O Joel é a coisinha mais fofa do mundo mesmo transformado – uma mistura de Bolt com mascote da Rússia na Copa, e tudo é muito, muito bem desenvolvido, sem falhas. Nem os efeitos especiais me incomodaram (achei que atenderam).

Se você for uma pessoa sensível a sangue, especialmente, melhor não assistir. Mas não é um filme de terror de mau gosto nem com sustos. Vai mais para o drama, com bons momentos divertidos também.

Se tiver a oportunidade, vá esta semana prestigiar o cinema nacional. Faz muita diferença no mercado quando o filme é assistido no cinema na primeira semana, porque isso mostra força de bilheteria e as casas conseguem manter o filme em cartaz por mais tempo.

Bom filme. Obrigada.

Como eu comecei a me interessar por vinhos

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Eu pretendo escrever muito sobre vinhos por aqui, então é melhor começar por algum lugar. Vou contar então por que, quando e como comecei a me interessar por eles.

São alguns pontos relevantes da minha vida que são significativos a esse respeito, a saber:

  1. Quando fiz a cirurgia da redução do estômago, no ano passado, passei a valorizar muito mais a qualidade dos alimentos que ingeria. Por isso, não queria comer porcaria, muito menos beber, e então cheguei aos vinhos.
  2. Tudo o que envolve o mundo do vinho é muito, muito interessante. Uvas, terroirs, regiões, produtores, clássicos. O cara para ser sommelier tem que estudar muito, e eu gosto de coisas que você precisa mergulhar no assunto para ser bom.
  3. Estudar os vinhos é estudar história, porque está tudo interligado! E eu amo história.
  4. Uma das coisas que mais tenho como princípio na vida é curtir a vida propriamente dita. E, quando penso no universo do vinho e tudo o que ele envolve (receber pessoas, estar entre amigos, conversar, dar risada, curtir muito), simplesmente me parece uma coisa que se encaixa muito bem na minha vida hoje.

Aí eu acredito que tenha começado como todo mundo que um dia começou a se interessar por isso: experimentando vinhos em restaurantes ou testando rótulos do mercado e vendo do que gostava mais.

A partir daí, comecei a pesquisar sobre harmonização. Para poder pedir direitinho no restaurante. O que combina com essa pizza? Com essa carne? E com um macarrão que tenha frutos do mar?

O assunto foi ficando cada vez mais interessante, e aí eu fui atrás do que sempre vou quando me interesso por algo: livros. Comprei um, depois outro. Vi todos os documentários relacionados no Netflix. Comecei a ver vídeos no YouTube. Fiz um curso. Organizei um cantinho escuro em casa para a minha adega. E assim foi.

Apesar de ter “fazer um curso de sommelier” na minha lista de “algum dia / talvez”, não tenho o propósito de trabalhar com isso – apenas quero conhecer muito, por prazer (e lazer) mesmo. É maravilhoso – assunto que não acaba nunca e aprendizado igualmente infinito.

Estou super começando mas quero ir compartilhando minhas descobertas por aqui porque, afinal, a vida é boa.

“Ver as coisas acontecendo como o resultado do seu trabalho…”

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Nos cursos de GTD, nós passamos alguns vídeos de uma personagem chamada Rosa, que começa a aprender GTD junto com os participantes e, aos poucos, vamos conferindo a sua evolução em termos de gerenciamento integrado da própria vida. E um dos vídeos, para o passo 4 (refletir), traz uma mensagem do narrador que diz o seguinte: “ver as coisas acontecendo como resultado do seu trabalho é divertido e recompensador também”.

Há quase três anos, fui para a Holanda tirar a segunda certificação do GTD, para o Nível 2 (Projetos & Prioridades). Era setembro de 2015. Em um ano, concluí a certificação como instrutora, o que me permitia ministrar cursos dessa etapa da metodologia. Mas apenas hoje, 27 de fevereiro, me formei como Master Trainer do Nível 2, pois dependia da certificação de pelo menos dois instrutores brasileiros, formados por mim, para que eu me certificasse.

Quando recebi a notícia por e-mail, me bateu uma felicidade e um sentimento de completude tão grande, que quis postar aqui. E isso não tem a ver apenas com organização ou apenas com o GTD, mas sobre o “backstage” mesmo.

Porque tudo o que venho fazendo, desde que fiz a minha transição de carreira para trabalhar com organização e produtividade, levou algum tempo para fazer alguns frutos. Essa certificação, veja só, que comecei em 2015, veio só agora. Agora eu sou uma das poucas pessoas no mundo certificadas como Master Trainer do Nível 2, que é um nível mais avançado. Se não me engano, são nove pessoas no mundo todo, e eu faço parte desse time.

Sim, eu sou apaixonada pelo GTD e muito dedicada a esse trabalho, e considero merecido. Mas só me faz ver como nada disso seria conquistado se, além de mim, não fossem outras pessoas-chave nesse processo. Desde o Daniel, que proporcionou essa oportunidade, até o próprio David Allen, que fez a “provinha” da certificação comigo remotamente, até a minha coordenadora da certificação e os instrutores brasileiros que foram capacitados por mim. Gratidão eterna por todas essas vidas envolvidas.

A felicidade é um sentimento muito mais de completude que de alcance. É um calor quentinho no coração, quando a gente menos espera. Muitas vezes, no dia a dia, podemos desanimar ou passar por situações difíceis, mas essa perspectiva de “para onde estamos indo” ajuda demais. E, quando você colhe o resultado de coisas que vêm plantando há bastante tempo, aí sim você vê o valor de regar e cuidar das suas plantinhas diariamente. Para isso, você precisa querer pegar o regador.

Star Wars: The Last Jedi (2017)

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Resolvi manter o título original em inglês porque acredito que condiza mais com o filme, pois rola um certo trocadilho entre ser no plural ou não esse nome.

Obviamente, esta resenha tem spoilers. Leia por sua própria conta e risco.

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Como eu já falei em uma resenha anterior da trilogia aqui no blog, não sou fã-fanática de Star Wars. Não “manjo tudo” de Star Wars. Porém, gosto da série, já reassisti as outras trilogias diversas vezes e também considero “O império contra ataca” o meu preferido. E aí eu fui assistir o segundo da nova geração e, como comentei sobre “O despertar da força”, em 2015, quis comentar sobre “The last jedi” também por aqui. Mas lembre-se que eu sou leiga. Pode me corrigir se eu falar alguma besteira.

Minha opinião de modo geral é: como filme, sensacional. Enredo bem amarrado, fotografia de tirar o fôlego, sequências e momentos emocionantes. Como segundo e penúltimo de uma trilogia? Já não sei. E vou explicar por quê.

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Está na cara que “The last jedi” é um filme sobre gerações. É um filme para “passar o bastão”, como disse o pessoal do Omelete. Mas eu entendo a crítica de alguns fãs, que vêm renegando o filme, porque ele “nega” coisas clássicas da saga que eram consagradas. Ao mesmo tempo, quanto mais penso sobre o assunto, mais ele se torna interessante.

Quando eu escrevi sobre “O despertar da força”, eu falei sobre a teoria da ideia de o Kylo Ren ser mais “bem-sucedido” que o Anakim na “destruição” do lado negro da força. Continuo com essa teoria. Uma das coisas que mais foram criticadas em “The last jedi” foi o fato de Kylo Ren ser um vilão fraco. “Não se compara ao Darth Vader”. “O propósito dele de acabar com o passado é fútil”. Etc.

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Mas, meus caros, eu acredito que aí que esteja o grande ponto forte da coisa toda: não existem mais vilões fortes. Assim como não existem mais jedis fortes. A força está aí para todos, e não para poucos selecionados. O segredo está no equilíbrio. O que a Rey representa (e acho aquela cena dela alcançando a força na pedra junto com o Luke extremamente emblemática com relação a isso) é uma percepção da força cujo lado negro não amedronta porque ele se faz necessário ao equilíbrio.

E eu acho tão emblemático também o Kylo Ren não usar mais máscara! A cena em que ele destrói a máscara é a cena que mostra que ele rompeu com o Vader também. É o que ele vem fazendo – rompendo com os ícones do passado, sejam quais forem. Ele representa a nova geração de maneira geral. A Rey vem para dizer que “opa, amigo, calma. Nem tudo no antigo é ruim. Rola uma equilíbrio, vem comigo.” Ela quer descobrir seu lugar em tudo isso, e na verdade já a vejo como a pessoa que representa esse equilíbrio. A cena na pedra deixou bem claro.

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Continuo com a mesma opinião que tive ao assistir “O despertar da força”: não vejo outro fim para esta trilogia que não a dissipação da ideia de “lado negro” – o que o Anakim originalmente queria fazer. Porque a história dessa dualidade não pode durar para sempre. Acho que uma narrativa que envolva o Kylo Ren se redimir é muito fraca. Um cara que mata o Han Solo pode se redimir? Jamaaaais! De verdade. Seria muito fraco do roteiro da saga se isso acontecesse, então não acho que acontecerá.

Rey passar para o lado negro? Muito menos. Jamais uma saga da Disney (lembrem-se) vai colocar isso como conclusão ou lição de moral.

Repetir a história – Kylo Ren é um novo líder supremo do lado negro da força e quer destruir a galáxia? Meh. Já foi feito isso, e com maestria. Não haverá vilão como Darth Vader, nunca mais. E os roteiristas sabem disso.

Minha única “preocupação” com o desfecho acabando com o lado negro da força é que isso coloca um ponto final na saga para trilogias futuras, mas será que coloca mesmo ou estou concluindo isso dentro das minhas próprias limitações criativas? Vamos aguardar para ver o que vem por aí.

Aliás, me deixem citar a cena da luta em que Rey e Kylo Ren lutam juntos, lado a lado, depois da morte do Snoke. Que cena, toda a sequência. Acho que foi a minha preferida do filme.

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Então eu gostei do filme, de modo geral. Algumas coisas me incomodaram bastante, como por exemplo o desentendimento ridículo entre o Luke e o Kylo Ren. Não colou, foi fraco. Mas, de modo geral, foi um grande filme. Como penúltimo da trilogia, achei perigoso, pois criou uma polêmica grande e deixou muitos laços abertos para um terceiro filme – muita coisa em jogo para resolver em apenas mais um filme, sabem? Mas quem sabe dê certo.

Poe Dameron (melhor personagem) é o novo Han Solo, e prevejo um triângulozinho amoroso entre ele, a Rey e o Kylo Ren. Tenho boas perspectivas de batalhas para o último filme, e acho que o desfecho se dará com uma morte dramática do Kylo – provavelmente por suicídio ou sacrifício espontâneo. Também imagino “fantasminhas” aparecendo novamente – como o Luke treinando a Rey. E acho que a série dará um pulo no espaço de tempo para começar justificando algumas coisas – Rey mais forte, talvez treinando uns padawanzinhos, e a morte da General Leia (com a morte da Carrie Fisher).

Enfim, que venha 2019, e até lá teremos bastante tempo para rever todas as trilogias novamente e pensar nesse conflito do Anakim PLUS conflito do Kylo Ren e como justamente a “fraqueza” do Kylo Ren será o ponto forte que vai concluir o que o Anakim queria originalmente lá atrás. Eu acredito!

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